30 julho 2013

a navalha e a rede

quantos adeus proclamamos já?
houve, hoje, algo no rio, que me fez ter vontade de o atravessar;
como muitas vezes aqui escrevi: do outro lado do rio quem manda sou eu.
o vexame a que, hoje, me subjuguei não tem barca nem margem possível. 
atravessaria eu o rio, riscar-me-ia do mapa, não só de ti mas de todos os que petrificamos.
lamento dizer-te, mas há promessas difíceis de cumprir; a força do rio, que acreditei sermos, quebra os fios que mantêm a barca à tona. 
entro no barco, sem receios, preocupada com a vida (tu saberás completar a frase) e na ausência da força dos fios. 
jamais olharei o rio, da mesma forma que jamais tomarei o fio em minhas mãos.
também eu tenho direito a quebrar promessas e a permitir-me fraquezas.
é o fim
eu serei o rio, tu as estrelas que apenas nele se reflectem

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