07 agosto 2013

pontualidade

tenho um vazio dentro de mim:
é que faço das tuas palavras excepção à minha dieta;
tu que me alimentas a alma, as noites e os dias.
quando não vens não te reconheço a pontualidade.
até eu que, ao contrário de ti, te desconheço a alma, suspeito o pior;
encontro-me, que nem Dzenana, ansiosa;
num misto de ansiedade e descontentamento.
não te reconheço a falta de palavras, 
sinto-me, uma vez mais, filha do engano.
poderia tranformar-me em algo que nunca conheceste, intransigente.
é que a dissonância de hoje apenas mordeu;
sabes demasiado de mim para o que sei de ti.
(desculpa-me não saber ser bonita, mas o bonito de feio é coisa que o vento enterrou na areia; por fim, vejo a minha alma ao espelho e a ausência de reflexo confirma o que temia: perdi-te a beleza e as palavras).
o amarelo dos dias esvanece-se e leva-te para longe de mim.

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