02 agosto 2013

postal sem selo #48

























meu querido,

hoje, na Missa, lembrei-te tanto e tanto, que tive até que fazer dos meus olhos uma barragem.
fazes-me falta.
não sei se me faltaria, pela primeira vez, coragem para me te confessar;
mas, agora, que és longe (segundo a homilia, o oposto - perto) confessei-me a ti como nem a mim o consigo fazer.
talvez o padre tivesse razão; talvez me estejas mais próximo do que nunca. dói imaginar proximidade maior da que tivemos em vida.

baralham-me as palavras dos outros; normalmente é ao contrário - tu eras a excepção.
fazes-me falta. tanta.
peço-te que apareças durante a noite de hoje e chutes o outro (sei que sabes) porta fora do meu quarto. não me açoites por favor, que busco penitência em mim mesma.
quero / preciso de te contar a viagem. o romance. a exposição. a Anne Frank da Bósnia que me soube e me quer ajudar. (sei que sorris um sorriso de orgulho, passando a tua mão pela minha)
tenho tanto para te dizer que pouco te deixarei falar. nada a que não estejas habituado. limita-te a interromper-me com as perguntas do costume - aquelas que não te deixo acabar; sempre te adivinhei as perguntas. sempre me adivinhaste as respostas. (recordas-te da vez em que me ias começar a descrever um quadro, e antes de sequer dizer a cor tamanho figura, eu adivinhei o nome do artista? faltam-me estas sintonias)
fazes-me falta. volta.

um carolo
a